BNCC – leitura e escrita

Passou da hora de termos  mudanças na área de educação e a nova BNCC ( Base Nacional Comum Curricular ) traz algumas alterações bem benéficas – embora, pessoalmente, ainda ache que haja algumas lacunas… – para dar um norte maior à educação do país.

Quando falamos de leitura e escrita, falamos também de uma porção de habilidades de competências. Como estamos no FEVEREIRO LARANJA, mês da LEITURA e ESCRITA no CALENDÁRIO JANAINA SPOLIDORIO de EDUCAÇÃO, decidi para a postagem de hoje falar tanto da nova BASE quanto do tema do mês. É a união do útil ao agradável…rsrsrs…

Achei que o estímulo à leitura e escrita ficou um pouco… vago… digamos assim, na Base, no que diz respeito à Educação Infantil. Na verdade, essa etapa, em minha opinião, sempre é subestimada nesse tipo de documentação. Depois, os resultados dos conteúdos não tão diretos e totalmente amplos deixados nessa fase são muitas vezes catastróficos para o professor do primeiro ano. Muitos acabam interpretando mal, exatamente porque os documentos de Educação Infantil deixam muitas pontas soltas no que diz respeito ao estímulo real das habilidades que os alunos precisarão nas séries seguintes e com essa Base, infelizmente, não foi diferente.

A relação mais direta que encontrei no documento, em relação à leitura e escrita na fase do Infantil, foi no campo de experiência de “Escuta, fala, pensamento e imaginação”, quando vemos o objetivo de conhecer diversos gêneros e portadores textuais e reconhecer a função social da escrita. Temos, portanto, que tomar cuidado, pois é um objetivo amplo e pode trazer interpretações distintas. Sempre digo que devemos estimular ao máximo a criança e nunca limitá-la!

Já quando o assunto é o Ensino Fundamental, primeira fase, tudo se modifica e temos, na nova Base Curricular, uma explosão de objetivos bem definidos, inclusive já a diferenciação, no primeiro ano, de letras em formato imprensa e cursiva, maiúsculas e minúsculas, trazendo à tona tudo o que há muito não se trabalhava em várias escolas. Na minha opinião, certíssimo! Não é porque algo é trabalhoso, que não devemos ensinar. Devemos sim dar ao aluno a oportunidade de conhecer o máximo que puder. Além do mais, a aprendizagem de letra cursiva tem um efeito neurológico muito mais poderoso do que qualquer atividade que trabalhe com interpretação. Cientificamente testado e comprovado. O conhecer, diferenciar e relacionar letras em imprensa e cursiva está na habilidade EF01LP11 da Base. E a importância da letra cursiva, bem explicada, sem poréns e contudos, você encontra nessa apresentação abaixo, que fiz especialmente sobre o assunto.

Os objetivos das habilidades, na nova Base, estão separados por ano/ série, sendo que gostaria de lembrar que, não é porque um objetivo não se encontra em uma série, que não é necessário revisá-lo. Se trabalhamos somente o que está indicado naquele ano, deixamos a aprendizagem fragmentada e nosso objetivo é UMA EDUCAÇÃO MELHOR!
Para os anos iniciais, o aluno deve ser estimulado, tanto em Leitura quanto em Escrita, tanto no que diz respeito ao compartilhado quanto ao autônomo. A intenção é formar um leitor real, capaz de futuramente ser bom em interpretação e produção de textos.
Outro ponto presente e importantíssimo é a CONSCIÊNCIA FONOLÓGICA. Ela não aparece “escancarada” na Base, mas está presente e perceptível para quem tem conhecimentos sobre o assunto. A habilidade EF01LP09 é prova disso, quando menciona o “comparar palavras, identificando semelhanças e diferenças entre sons de sílabas iniciais, mediais e finais”. Essa habilidade tem forte influência da CONSCIÊNCIA FONOLÓGICA, uma vez que o objetivo principal dessa ferramenta é manipulação de sons. Embora seja trabalhado oralmente, em sua base, se internaliza no aluno e ele a utiliza no campo escrito, por exemplo.
Os gêneros textuais estão bem identificados também, e um ponto positivo são os gêneros digitais. Já no segundo ano se sugere termos como e-mail, formatação, diagramação, que são linguagens muito do meio digital. Nas séries seguintes, mais menções de gêneros digitais, como produção de áudio e vídeo, por exemplo, inclusive em formato vlog.
Como você pode perceber, a leitura e escrita está com objetivos extremamente amplos e, claro, nem 10 postagens seriam suficientes para falar totalmente do assunto, só de leitura e escrita do documento da nova Base.
Escolhi alguns pontos que achei diferenciados para esta postagem, cuja intenção era falar um pouco do que irá mudar e que teremos que nos adaptar e também estimular positividade nessa mudança.
Sempre que temos novos documentos, especialmente vindos de esfera federal, somos um pouco resistentes, mas acredite: é preciso avançar na educação. Mesmo que discorde de alguns itens da Base, como vai ocorrer em muitos lugares, deixe a resistência de lado, arregace as mangas e faça o melhor que puder, levando a Base para seu lado e não se curvando a ela.
Não é porque temos uma base que ela é fechada, restrita, limitada. A Base é um documento escrito e como todo documento, dá a oportunidade de diversas interpretações. Em lugar de resistir e dar aula de “cara fechada” porque não concorda com determinado item, tente ser aberto e abrace o item da forma que achar mais fácil para você. Garanto que será muito mais gratificante para você e para os alunos.
Já passei por muuuitas mudanças na educação e todas as vezes eram discussões e discussões em reuniões de professor ( famosos HTPC ) sobre o que fazer e o que não fazer, sobre como tal coisa era absurda e tal. Imagine se, em lugar de todas as intermináveis horas de discussão, sobre algo que já estava pronto e acabado e no fim teríamos mesmo que “abraçar” em nossas vidas, tivéssemos nos dedicado à leitura e possíveis modos de aplicação das novas determinações… muito mais prático, objetivo, funcional e POSITIVO do que reclamar e ser contra.
Particularmente sou contra tudo o que ATRASA coisas que precisam ser feitas. Se precisar ser feito, por pior que seja, sempre tem o lado POSITIVO. Sempre tem uma SOLUÇÃO. É com alegria e positividade que devemos encarar tudo, então, arregace as mangas comigo e vamos nos dedicar a deixar a educação ainda melhor, com o que nos é fornecido, dando nossa interpretação, afinal de contas, somos professores. Educar é um ato político, como já dizia Paulo Freire, e com razão, pois somos nós, professores, que devemos ter determinada voz na educação e usar nossa influência para poder trazer ao país o que ele necessita rumo a uma MELHOR EDUCAÇÃO.
Ok, me empolguei, como sempre faço com textos assim, mais densos! De qualquer forma, já estou montando materiais de acordo com a nova base, para lhe auxiliar nessa tarefa tão importante de formação. Se tiver algum comentário, fique à vontade para colocar. Espero que tenha gostado do texto e até a próxima!

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