Alfabetizar é preciso! / Professora Janaína Spolidorio
Janaína Spolidorio

Alfabetizar é preciso!

Temos muitas datas no calendário. Comemorações é que não faltam no calendário nacional, mas hoje, em especial, é uma data um tanto reflexiva. 14 de novembro é o Dia Nacional da ALFABETIZAÇÃO.

Muito ouvimos falar dela, o tempo todo. Muito se tenta fazer por ela, mas geralmente tanto se tenta fazer, que os resultados não surgem fácil assim. Claro que todo esforço é válido e quanto mais incentivarmos, melhor! Não é difícil encontrar histórias bem tristes, devido à falta de instrução das pessoas. Já ouvi muitas delas, de pessoas que não puderam frequentar a escola. Sabemos o quanto é importante ser alfabetizado e poder estudar. A leitura e a escrita são ferramentas essenciais para poder ter as próprias escolhas. São elas que dão a possibilidade de escolher qual caminho seguir.

Antes de falar sobre a alfabetização no país, vou falar um pouco de experiência pessoal. Depois você entenderá porque achei relevante contar sobre ela também, pois tem tudo a ver com a alfabetização no nosso país.

Experiências Pessoais

 

 

Não conheci meu avô paterno, mas sei que não tinha estudo. Faleceu cedo e teve uma vida difícil. Ele abria estradas em São Paulo, pingava de cidade em cidade. Aquela era sua função e ele ficou PRESO no ofício de abrir estradas por toda sua vida.

Se a vida não foi fácil para ele, imagine para os filhos… ajudavam o pai, de cidade em cidade, mais velhos criavam os mais novos e trabalhavam. O estilo de vida não possibilitava muito o estudo. Meu avô sabia que eles tinham que ir à escola, mas também sabia que precisava deles para ajudar em seu trabalho. De certa forma, eles iam à escola, mas nem sempre podiam frequentar como se devia e não tinham recursos para fazê-lo como era preciso.

Mesmo assim, grande parte deles, percebendo o quanto era importante estudar, conseguiram a seu próprio modo ter alguma formação. Meu pai mesmo terminou o Ensino Médio em supletivo, antes de eu nascer, já com dois filhos adolescentes. Acabou também fazendo Relações Públicas. Minha tia, depois de passar por muito em sua vida, se tornou enfermeira, depois de uma separação e cinco filhos para criar. Cada um deles percebeu a necessidade do estudo para mudar suas vidas aos poucos.

Eles sabiam que não queriam ter a mesma vida que tiveram na infância. Sabiam que não queriam aquilo para seus filhos. Percebiam o quanto ser alfabetizado e, por consequência, seguir os estudos, poderia fazer pela vida da pessoa.

A alfabetização é o primeiro passo para se ter as próprias escolhas. Ela permite que um caminho de futuro seja aberto. Se meu pai e meus tios tivessem seguido a mesma trilha do meu avô, que se deixou envolver pela vida que tinha, certamente nem eu e nem meus primos teríamos seguido o caminho que temos hoje. Foi o estímulo ao estudo que nos trouxe até onde estamos. Fizemos nossas escolhas.

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Você deve ter notado que a história de alfabetização de minha família, lado paterno ( minha mãe é outra história…), teve um desenrolar confuso, mesmo que eu não tenha contado em detalhes.  Foi preciso uma história de gerações para que pudéssemos nos “assentar” na área educacional e aos poucos se percebeu a importância dos estudos, durante essas gerações. No caso dos meus tios, em tempos diferentes. A vida deles melhorou muito depois disso.

O caso é que a alfabetização no Brasil se assemelha bastante à história de estudos que contei. Não sei se vou conseguir contar exatamente como penso, mas vou tentar simplificar, porque é um pouco complexo… Preocupado – mas não… não consegui me conter aqui… – com oferecer uma boa educação aos brasileiros, o governo implanta de tempos em tempos novos métodos para a alfabetização. Como meu avô, ele sabe que precisa ser feito, mas ao mesmo tempo, precisa direcionar o que as pessoas farão no país. É um estímulo à alfabetização, mas de acordo com suas necessidades. Por sua vez, as famílias, que são meu pai e meus tios, na comparação, fazem o que conseguem para poder direcionar melhor os estudos dos filhos.

Claro que a família influencia demais! Famílias mais críticas e que percebem o que se passa no país e no mundo dão aos filhos toda oportunidade de estudo que conseguem, mas sabemos que nem todos são assim e também vemos, em reunião de pais, que infelizmente há os desinteressados. O envolvimento da família é difícil, em várias classes sociais, por questões diferentes.

Quando me formei em magistério, falava-se em PROPOSTA construtivista. Ainda não era considerada como metodologia, mas a instrução era para esquecer a cartilha e trabalhar somente com as hipóteses. Todos os professores da época e também os professores dos professores, dominavam a alfabetização por cartilha e, por bem ou mal, era isso que sabiam fazer. Se falassem em cartilha nas escolas, os professores eram mal vistos por todos. Eram considerados atrasados. Isso era praticamente proibido, a família silábica tinha alcançado seu fim.

Há alguns anos, ela foi ressuscitou. Agora, em escolas particulares, que usam sistemas de ensino, o sócio-construtivismo segue à toda força, na maior parte das escolas; enquanto nas públicas, em muitos estados, o conceito de sílaba volta com força extrema. Isso depois de cerca de 20 anos cultivando o sócio-construtivismo e criando professores novos que não tiveram o menor contato com as cartilhas e seu método criado em 1.880.

Veja só a confusão que isso cria! Sem intenção? De forma alguma! Se não fosse gasto tanto tempo em teorias e trouxessem planos mais práticos de alfabetização para o país, nos quais o trabalho do professor fosse somente a aplicação e avaliação, certamente a qualidade seria maior, não seria preciso tanto esforço e tempo dos professores e a alfabetização alcançaria suas metas mais facilmente. Mas se você for crítico, como eu, verá que não é essa a intenção. Direcionar é preciso… como já mencionei antes.

Pense em um médico, por exemplo. Ele estuda sobre as doenças, mas é ele quem produz o remédio? O mesmo deveria ocorrer com o professor. Ele deve saber sobre o processo de aprendizagem com o qual está lidando, mas é ele quem deve produzir o material? Percebe? As ferramentas devem ter qualidade. Deve haver alguém para montar o “remédio”. O professor deve entender sobre o assunto, mas deve usar seu tempo, assim como o médico, lidando com as opções de resultados e com o “tratamento” do aluno.

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Não vou mentir e dizer que é simples. Na verdade, o processo em si é complexo e não depende somente do professor. O aluno tem grande parcela no processo… enorme, na verdade.

Muitos professores temem pegar classes de alfabetização, muitos amam essa fase e muitos já pegaram, mas nunca mais querem, por terem tido péssima experiência.

O requisito básico para alfabetizar, em minha opinião, é a imaginação. É preciso se imaginar no lugar do aluno que tem dificuldade, no lugar do aluno que está em processo. É a imaginação que irá fornecer ao professor o “quadro” do diagnóstico do aluno, fazer ele se imaginar naquele quadro e saber o que é preciso para avançar, INDEPENDENTEMENTE DA METODOLOGIA.

Se o professor usa uma metodologia engessada, o aluno fica para trás. Fato! Nem todos os alunos pensam da mesma forma, cada um aprende de seu jeito. Já sabemos disso. Como uma única forma de ensino ( a engessada ), poderia dar conta disso?

Bem, vamos ao que interessa! São sugestões para toda e qualquer metodologia. Espero que goste!

Seja qual for sua metodologia, usar como estratégia a CONSCIÊNCIA FONOLÓGICA é imprescindível para a alfabetização. É esse trabalho oral que irá fornecer ao aluno habilidades para identificar e manipular sons, prevenindo, desde cedo, trocas fonéticas, por exemplo.

A consciência fonológica tem uma ordem e níveis de aprendizagem. Na loja virtual tenho uma seleção de materiais com o tema, que você pode dar uma olhada clicando no banner a seguir.

Consciência Fonológica

Deixo ainda a sugestão de um vídeo do meu canal YOUTUBE, que tem atividade gratuita, para você experimentar e ver um pouquinho mais sobre o assunto.

video

Se você prefere uma alfabetização mais padronizada, do tipo letra a letra, também há várias sugestões no site da loja, dependendo, inclusive, do tipo de sala de aula que você tem. Há a série da Fada Alfabeta, há a coleção “Só vogais e só consoantes”, que trabalha também com uma a uma e há a Alfabeto de personagens, que traz as letras já trabalhando com personagens da literatura infantil ( Exemplo: A de Alice, B de Branca de Neve ). Esse último é um pouquinho mais puxado.  Para dar uma olhadinha nas opções, clique no banner a seguir.

letra a letra

Agora, se você trabalha com as HIPÓTESES DE ESCRITA, opções no site da loja não faltam, mas tenho também indicado exatamente para cada hipótese, com exceção, por enquanto, da alfabética, pois essa requer trabalho de ortografia, são estratégias diferentes.

hipoteses

Para finalizar, as SÍLABAS COMPLEXAS, que são, na verdade, um trabalho com ORTOGRAFIA, costumam dar também bons resultados. Vou deixar o link, embora haja também ortografia contextualizada no site da loja, para você dar uma olhadinha! Este, acho que vale a pena também assistir o vídeo, pois ele traz uma forma diferenciada de trabalhar com o material que você pode usar para intensificar a aprendizagem.

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Bem, claro que há muito mais sobre o assunto para falar! Foram anos e anos trabalhando nesse segmento, então tem muita coisa para falar mesmo!

Estratégias, conselhos, materiais, não faltam sobre o assunto alfabetização e se você der uma olhadinha no blog ou nos vídeos do YouTube, ou mesmo no Face da Fada Alfabeta, vai ver o quanto me dedico a essa área da educação.

Ela é tão essencial, que até a mascote da Alfabeta foi criada exatamente para dar sugestões e trazer itens só sobre a fase de ALFABETIZAÇÃO. Claro que o que há depois da alfabetização também deve ter atenção, mas sem ela, fica difícil o trabalho posterior, então optei por dedicar a postagem de hoje ao tema e espero que tenha gostado!

Finalizo a postagem de hoje com um vídeo reflexivo, de um curta-metragem que nos leva realmente a pensar em quanto nosso trabalho como alfabetizadores e nossa influência como professores podem fazer a diferença para algumas pessoas.

Ninguém muda sem que queira, é preciso ter incentivo também para mudar. Achei muito tocante o curta e espero que goste e que seja inspirador. Acho que ele no instiga a não ficar de braços cruzados, nos instiga a querer fazer a diferença na vida dos aluninhos! Além do vídeo, deixo o link direto no youtube, pois os comentários do vídeo são riquíssimos no que diz respeito à reflexão e ao histórico de cada um. Se você quiser deixar nos comentários um histórico de sua família ou de alguém que conheça, acho enriquecedor e agradeço sua contribuição, assim como os demais leitores! O link do vídeo no YouTube é https://www.youtube.com/watch?v=yFpoG_htum4&t=452s

 

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