Aluno Alfabético! E agora? / Professora Janaína Spolidorio
Janaína Spolidorio

Aluno Alfabético! E agora?

Uma meta importante para quem trabalha com alfabetização é que o aluno alcance a hipótese ALFABÉTICA da escrita. Às vezes, damos um duro danado para que eles fiquem alfabéticos e outras vezes eles até já chegam alfabéticos no primeiro ano.

Digo primeiro ano, porque geralmente é esta a série destinada ao trabalho bem árduo no que diz respeito às hipóteses. Eu sempre me preocupei bastante em deixar todos alfabéticos, já no primeiro ano, para chegar ao segundo já prontos para os novos conteúdos. Na verdade, costumava até ir além do que era pedido, mas isso é outra história.

Vamos ser sinceros! Quando o aluno é alfabético, suas necessidades passam a ser completamente diferentes das outras hipóteses de escrita. Se ele chega alfabético no primeiro ano e grande parte da sala está em outras hipóteses, é difícil gerenciar e precisamos tomar cuidado para que ele não se sinta desestimulado até! Quando ele se torna alfabético e ainda temos outras hipóteses, a questão é a mesma em relação ao que fazer, porque, na verdade, a grande dúvida que temos é: MEU ALUNO ESTÁ ALFABÉTICO! E AGORA?

Depois que se alcança essa meta principal da alfabetização, é quando ela deixa de ser completamente alfabetização e se torna mesmo língua portuguesa. Vamos ver o que deve acontecer depois que seu aluno alcança essa hipótese de escrita.

ALFABETICO 1

 

 

Claro! Não podia ser diferente! Assim que o aluno se torna ALFABÉTICO, uma das primeiras preocupações que você deve ter é estimular a escrita correta das palavras. Estar alfabético não é o mesmo que ser alfabetizado, não confunda!

ortografia para alfabeticos           O alfabético já tem um domínio do BÁSICO da linguagem escrita, mas não é o suficiente para dizermos que está realmente alfabetizado. Ele precisará treinar – e muito – a ortografia. Comece do mais simples! Primeiro verifique se ele não está trocando letras. Há algumas trocas mais comuns de se fazer, como P por B e T por D, por exemplo, mas podem ocorrer também trocas de som de J por X ou F por V na escrita. Essas são trocas consideradas comuns, porque esses pares de consoante têm pontos em comum em sua formação de som, explicando de um modo básico.

Esse material ao lado eu elaborei pensando nessas dificuldades mais básicas que os alfabéticos podem ter, em relação a essas consoantes de troca. Você pode ver mais detalhes dele clicando na imagem ou no link https://janainaspolidorio.com.br/ortografia-para-alfabeticos.html 

Depois de trabalhar bem com as possíveis trocas que os alfabéticos fazem, comece a ajustar outros tipos de Ortografia do Hortografia um pouco mais complexos, como as chamadas “sílabas complexas” ou sons iguais, letras diferentes, como é o caso do X ou CH ou usos do R ou ainda convenções como o H inicial.

 

Um outro material que super recomendo é o H por todo lado. Ele trabalha, além do H inicial, seu uso com CH, LH e NH. Bem legal para fixar essa ortografia!

Para ver mais detalhes desta sequenciada, clique na imagem ou no link https://janainaspolidorio.com.br/h-por-todo-lado.html 

ORTOGRAFIA COM TEXTOS E INTERPRETAÇÕES - Ç M GE GI.fw          Sabemos que ortografia não pára por aí, só em trabalhar palavrinhas e pequenas frases. O próprio aluno vai demonstrar que precisa que a ortografia esteja em um contexto, por isso super indico que trabalhe tanto em exercícios mais direcionados quanto em atividades nas quais a ortografia esteja contextualizada, inserida em textos, para que o aluno perceba melhor seu uso e ainda tenha o estímulo da leitura.

Um exemplo super bacana é o material ORTOGRAFIA COM TEXTOS. Se você clicar na imagem ou no link poderá ver uma AMOSTRA de ortografia contextualizada. Ela é necessária e um ótimo exercício de aprendizagem para os alunos já ALFABÉTICOS.

O link do material é https://janainaspolidorio.com.br/ortografia-com-textos-e-interpretacoes-c-ge-gi-m-final-e-m-antes-de-p-b.html 

Estimule a escrita

 

 

Durante a alfabetização, digo, as hipóteses, grande parte de nosso trabalho traz um enfoque em palavras. O aluno alfabético precisa, mais do que nunca, partir para escritas mais amplas.

APRENDENDO A FORMAR FRASES         Logo que o aluno se torna alfabético, já estimule a leitura de textos e a escrita, pelo menos, de frases. Trabalhar frases, além de textos, claro, é importante, pois você poderá notar se ele ainda precisa de ajustes de segmentação ou se precisa de ajustes já relacionados à coesão e coerência.

O material APRENDENDO A FORMAR FRASES é uma ótima pedida para essa fase! Para ver mais detalhes, clique na imagem ou no link https://janainaspolidorio.com.br/aprendendo-a-formar-frases.html 

Há muito o que se aprender a partir de frases. Elas são ótimas para treinar, por exemplo, leitura em voz alta ou para corrigir/ exercitar ortografia, de forma mais direcionada.

A partir do trabalho com frases, para o aluno alfabético, você também pode já formar pequenos textos. Esta é a proposta da atividade que estou mostrando abaixo, na qual o aluno LÊ frases e as distingue. No caso, há um príncipe e uma princesa. Ele classifica se a frase lida pertence ao príncipe ou à princesa e, no final do trabalho, monta pequenos textos com as frases já classificadas.

LEITURA E ESCRITA

Ao fazer atividades como esta, que é parte do SUPER PACOTÃO DE LEITURA E ESCRITA – VOLUME 2, o aluno começa já a perceber que precisa de qualidade em suas frases, para que juntas possam vir a ser um texto, com começo, meio e fim. Para ver mais detalhes desse material, clique na imagem ou no link https://janainaspolidorio.com.br/super-pacot-o-de-leitura-e-escrita-2.html

Outra forma de ampliar a escrita é trabalhar bastante leitura e interpretação. Estimule a AUTONOMIA, neste caso! Textos menores são menos cansativos e podem trazer bons benefícios quando for o momento de ampliar a escrita também. Você pode usá-los como base para mostrar ao aluno boas referências de escrita, enquanto explora também a interpretação. Veja a seguir um exemplo de trabalho com interpretação, que estimula a escrita.

Textos informativos

No exemplo, retirado do material de FICHAS E TEXTOS INFORMATIVOS, da loja virtual, você encontra um trabalho excelente para alfabéticos, em três páginas. Depois de ler o texto, o aluno faz a ficha do animal. Você pode pedir, por exemplo, para o aluno colorir, no texto, onde estão as informações que ele tem que buscar para a ficha, já estimulando a leitura e a organização em interpretação de texto. Em seguida, exercícios como completar frases, desembaralhar sílabas e preencher outros dados do animal trabalham com diferentes habilidades, relacionadas tanto à leitura, quanto à escrita e interpretação. Para finalizar, um MAPA MENTAL que facilita para o aluno entender melhor o texto lido e registrar tudo o que aprendeu, é uma forma de estudar!

Esse material, em especial, tem um PLUS, porque em determinada parte da sequenciada, quando o aluno já se habituou aos tipos de texto informativos, que são fáceis de montar, o desafio muda e é ele quem,  a partir do mapa mental, produz o texto, reunindo as informações de um modo lógico e coerente. Para saber mais sobre o material, clique na imagem ou no link https://janainaspolidorio.com.br/textos-sobre-animais-aquaticos-fichas-e-textos-informativos.html

ALFABETICO 3

 

 

Desnecessário dizer que ALFABÉTICO precisa ler – e muito! A questão é que achei importante ressaltar aqui, porque falamos muito de HIPÓTESE DE ESCRITA, mas nunca nos lembramos da HIPÓTESE DE LEITURA. Leitura e escrita de processam de forma diferente na aprendizagem, portanto os estímulos de uma de de outra são BEM diferentes.

Acho FATAL que se fale tanto de escrita e não se mencione a leitura. O trabalho com leitura não se refere a ler algo que o aluno acabou de escrever. Não é exatamente a própria escrita que ele precisa ler e sim QUALQUER escrita.

O trabalho com LEITURA envolve bem mais coisas do que se imagina. Há também quadros de avaliação diferentes, já que é uma habilidade diferente da escrita. Trabalhar com leitura envolve, por exemplo, trabalho com LETRAS DIFERENTES, quando digo letras, quero dizer o que chamamos, em informática, de FONTES. Não adianta o aluno saber ler só um tipo de letra! Ele precisa diferenciar e assemelhar letras, escritas em diferentes fontes.

Além do trabalho com letras diferentes, ainda é preciso estimular a leitura interpretativa. Um fato é que a letra CURSIVA interfere – e bastante – na interpretação. Estudos mostram que ela auxilia na formação do que o cérebro precisa para poder trazer compreensão ao que é lido. Muitos são contra! Vivemos num mundo digital… outdoors e impressos são em letra imprensa… muitos são os argumentos ( fracos, diga-se de passagem ) que são usados como desculpa para não ensinar a letra cursiva. Para não ficarmos na discussão de prós e contras, já deixo abaixo uma apresentação sobre o assunto, que já fala sobre tudo isso e ainda explica o porquê de ensinar! Nada de lenga-lenga!

          Outra forma de estimular a leitura do ALFABÉTICO e usá-la ao seu favor, é estipular, às vezes, como parte da aprendizagem do alfabético, que leia enunciados para os alunos que ainda não estão alfabéticos. Ao ler o enunciado, ele estará ajudando um colega e ainda precisará interpretar, treinando a leitura em voz alta e, aos poucos, ajustando pontuações e pausas da leitura. Como expliquei, leitura é um processo diferente e possui recursos que não são percebidos quando se ensina apenas a escrita. Embora o aluno até aprenda a ler sem um trabalho mais específico de leitura, isso causará falhas em sua aprendizagem e no modo como interpreta a leitura.
ALFABETICO
Se há algo que você não deve abandonar, em todas as fases da alfabetização e também depois dela, é a Consciência Fonológica. Este é um recurso que traz muitíssimos benefícios e previne falhas de leitura e escrita.
       Falo muuuuito sobre o assunto, seja no YouTube ou até aqui no blog, e não é para menos! Quanto mais estimulada a consciência fonológica, menos trabalho temos ao ensinar a linguagem convencional do mundo alfabetizado aos alunos.
       Embora seja um trabalho de origem ORAL, especialmente porque tem origem em outro idioma, com características mais sonoras que o português, é possível adaptar e usar atividades complementares ao trabalho oral, para nosso idioma.
FONOLOGICA - PARTES DAS PALAVRAS       De início, trabalha-se com rimas, letras iniciais e finais, aliteração… com o tempo, é feito um aprofundamento, com os sons dos fonemas, sendo que há uma sequência a ser trabalhada, de ordem lógica e linguística e, para completar, com o tempo o aluno passa a dominar mais e mais os sons, facilitando tudo! Leitura, escrita e interpretação. Quando mais ele manipula os sons pela Consciência Fonológica, mais tem facilidade na aprendizagem da linguagem.
         Tenho uma boa quantidade de materiais de CONSCIÊNCIA FONOLÓGICA no site da loja, mas como estamos falando de alunos ALFABÉTICOS hoje, minha sugestão é trabalhar PARTES DAS PALAVRAS, então o material ao lado é o mais indicado. Para saber mais, clique na imagem ou no link https://janainaspolidorio.com.br/alfabetizac-o-e-consciencia-fonologica-serie-dupla-dinamica-partes-das-palavras.html 
          Bem, a intenção da postagem era falar um pouco sobre o que fazer quando seu aluno fica alfabético – ou chega alfabético à sala de aula, então eis que essas são algumas coisinhas que devem, de todo modo, ser trabalhadas nessa fase. Certamente sei o quanto é difícil trabalhar alfabéticos em salas cuja maioria está em outras hipóteses, mas SIM, há luz no fim do túnel e tudo dá certo no final, pois eles podem ser de grande ajuda para você e você pode contribuir muito para a aprendizagem deles.
           Também sei que quando o aluno fica ALFABÉTICO damos um UFA! Mas começamos a pensar no E AGORA? Mas tudo é mesmo questão de mudar estratégias e objetivos para o aluno. Espero que as dicas tenham sido bem úteis para você. Até a próxima!

3 Comentários

  • Maria Anizia de Jesus Barreto disse:

    Uso muito de seu material. São fantásticos!!!!!. A leitura desse texto me ajudou muito. Há muita cobrança, para nós professores, em deixar o aluno para segundo ano produzindo textos, ortografia correta, letra cursiva, esquecendo que nessa idade precisam do lúdico também. Me preocupo muito com a leitura, enfatizando em minhas aulas, o que leva a escreverem melhor. Obrigada por você estar ao nosso lado ajudando com ótimas ideias.

    • Olá, Maria Anizia

      Gostei muito de seu comentário. A fase de alfabetização tem uma cobrança muito grande em relação à aprendizagem, isso principalmente de primeiro até o terceiro ano, dependendo da escola. É muito o que aprender e sabemos que é a fase onde a aprendizagem fica mais aparente, pois a evolução é praticamente “a olhos vistos”.

      O lúdico realmente ajuda muito, mas é tanta coisa para se lidar, que quando aparecem novas situações acabamos ficando um pouco sem rumo, especialmente se os alunos excedem o que se espera no ano. Sempre defendi que o aluno não deve ser subestimado, pois eles têm muito a oferecer também, basta estarmos prontos para conseguir enxergar os pontos positivos.

      Agradeço seu comentário. Até a próxima postagem!

  • joselita disse:

    muito bom, gosto muito de novidade sobre alfabetização e letramento.

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