Estratégias de LEITURA

Se há algo que raramente trabalhamos do jeito que deve ser é a LEITURA. Não é culpa nossa, nem minha e nem sua. A culpa é do sistema, em geral. O modo como somos instruídas a ensinar nos leva a dar um enfoque grande na escrita e quase nenhum enfoque na leitura. Isso acontece, na verdade, porque a escrita é algo visível, praticamente concreto, que podemos mostrar às pessoas. Já a leitura é algo muitíssimo abstrato, que sabemos somente quando o aluno está presente ou aparece, mais à frente, quando o aluno tem problemas de interpretação de texto.

Este assunto, na verdade, daria um trabalho de TCC…rsrsrs… então vou tentar ser breve aqui na postagem, ok? Falarei somente o básico para você começar a “ruminar” os fatos e informações. Digo ruminar, porque não sei se você leu o ótimo livro de Literatura Brasileira “A Hora dos Ruminantes”, de José J. Veiga… o fato é que ao ler o livro você não entende muito o título, mas a realidade é que o título acontece porque os personagens da cidadezinha do livro “ruminam” informações. Por isso lembrei do livro ao escrever esta postagem! É o tipo de conteúdo que devemos “ruminar” até a próxima informação! Bem, vamos aos fatos!

Agora, você deve achar que estou “doida”? Eu estava falando de LEITURA, correto? E logo quando vou começar falo de LETRA CURSIVA. O que tem a ver uma coisa com outra?…absolutamente TUDO.

Durante anos ela ficou no “beco escuro” das salas de aula. Muitos professores baniram ela completamente de suas rotinas e o resultado? Os alunos interpretam cada vez menos, prova disso são os péssimos resultados quando o assunto é interpretação. Há vários “mas” no ensino da cursiva, mas posso garantir que praticamente todos são “furados”. Na minha sincera e dura opinião, o motivo mais forte para NÃO ensinar cursiva é que DÁ TRABALHO e pode até chegar a ser exaustivo, se o professor não tiver habilidades relacionadas a ela.

NÃO vale dizer que “você não sabe”. Só posso afirmar o que já experimentei. Sabe o que fiz quando decidi ser professora e ainda estava no Magistério? Comprei eu mesma um caderno de caligrafia e praticava toda semana, no mesmo horário. Sabe o que fiz quando comecei realmente a dar aulas para um primeiro ano? Comprei um curso de caligrafia por correspondência, do INSTITUTO NACIONAL. NUNCA, em momento algum, usei minha falta de habilidade na época ou o fato de eu ter no Magistério uma caligrafia mesclada com letra imprensa para justificar que não ensinaria letra cursiva aos meus alunos e tenho orgulho de todo o esforço que fiz. Hoje, não apenas tenho a cursiva correta, como também faço vários tipos de traçados de cursiva à mão, inclusive com instrumentos diferentes de escrita. Não carrego a culpa de ter negligenciado a cursiva, em momento algum.

É fácil encontrar um montão de justificativas vazias para não ensinar cursiva, que mascarem o fato de, na verdade, não saber fazer ou não saber como ensinar. Mas veja… isto irá impactar diretamente no futuro de seus alunos, porque você terá sido um dos responsáveis pelo aluno ter dificuldades de interpretação. A cursiva tem um impacto direto neste tipo de aprendizagem de leitura. Enquanto a letra em caixa alta ou letra bastão “separa” a escrita, o cursiva “une”, o que leva à formação da interpretação no cérebro ( é um pouco mais complexo que isso, mas no momento basta saber isto). Vários estudos apontam que há diferenças gritantes dos alunos que aprenderam cursiva enquanto eram alfabetizados, com os que aprenderam cursiva depois da alfabetização ou nem aprenderam. Veja abaixo um SLIDESHARE de minha coleção sobre o assunto:

Para trabalhar com LEITURA, você deve ir além da decodificação. O aluno estar alfabetizado não significa que ele está “letrado”. Para quem não conhece, há uma grande diferença entre a alfabetização e o letramento. A alfabetização seria do “desvendar” a escrita, mas não quer dizer que uma pessoa alfabetizada saiba realmente ler, entendendo. Este entendimento é o que chamamos de letramento.

Temos sim alunos que, à primeira vista, leem até muito bem. Ocorre que, quando perguntamos para eles sobre o que leram, não lembram, não sabem dizer… parece que nenhuma daquelas informações que ele acabou de ler entraram em sua cabeça. É como se ele nem estivesse presente quando ele mesmo leu o texto em voz alta. A atenção dele, na verdade, estava totalmente voltada para a decodificação.

O que faz a diferença entre um LEITOR REAL, LETRADO e um LEITOR “FRAUDE”, mero DECODIFICADOR, é o fato de que o primeiro conseguiu, milagrosamente, criar estratégias de leitura. Digo milagrosamente, porque elas são rara e parcamente trabalhadas na escola. Neste ponto você deve estar já preocupada, pensando como poderia fazer para dar um jeito na situação. Ou pode também estar pensando a que horas conseguiria fazer um trabalho com leitura, já que são tantas as coisas que tem que fazer em aula e o tempo mal dá para elas.

Bem, o trabalho é feito durante as atividades ou, se a classe for muito difícil na interpretação, significa que a leitura é mais urgente do que uma porção de outras coisas que você está trabalhando. Portanto, encontre na rotina, neste último caso, um horário para a leitura, nem que sejam 50 minutos semanais. Quanto ao tempo, garanto que será um investimento no seu trabalho e no futuro dos alunos, pois quando você dá aos alunos as estratégias que eles necessitam para serem bons LEITORES, se tornam mais atentos, engajados e mais autônomos.

Uma questão importante é pensar em QUEM precisa deste tipo de aula. A resposta é simplesmente TODOS. Sim, todo aluno, seja ele em que nível de leitura estiver, precisar ser ensinado a ler, as estratégias de leitura são fundamentais também para quem já lê até bem. Isto porque você irá dar a oportunidade ao bom leitor de estar ciente do que o faz um bom leitor e ele poderá, ao saber destas estratégias, tornar-se ainda melhor. Já o aluno com dificuldades, saberá o que deve fazer para se tornar um melhor leitor.

As estratégias de leitura devem ser ensinadas EXPLICITAMENTE pelo professor para poder ser treinada pelo aluno. Enquanto o aluno lê, inclusive, você pode interromper ( no momento certo, claro! ) e pedir que prestem atenção ao tipo de estratégia que aparece evidente ali ou pedir que usem uma estratégia para explicar o que foi lido. O importante é que resulte na boa interpretação.

Para o aluno saber bem as estratégias, o mais recomendado é que o professor enfoque uma delas por semana, por exemplo, mas de um modo que ele viva, coma, respire a tal estratégia com a turma, para ficar bem evidente mesmo. Uma vez ensinadas, elas se tornam parte vital do aluno, sem ele perceber.

Mas… falei tanto das estratégias e ainda não contei quais são elas! Pois bem, claro que há um estudo e bem aprofundado, por sinal, destas estratégias. São largamente usadas naqueles países que têm ótimos resultados em testes de interpretação internacionais, como o PISA. De um autor para outro ( são muitos autores que lidam com esta questão ) há diferenças, mas muito mais semelhanças entre as estratégias sugeridas. Para você ter uma ideia, há uma autora chamada Jennifer Serravallo que lançou uma coletânea de 300 estratégias para tornar o aluno um bom leitor.  Desta forma, vou sugerir ALGUMAS delas, as mais básicas, claro,  a seguir para que você possa ter uma leve ideia do que seriam as tais ESTRATÉGIAS DE LEITURA.

Caso tenha achado interessante, tenho DOIS materiais no site da loja que tratam de estratégias de leitura, direcionados a este artigo que escrevi hoje. Um deles são cartazes, para ajudar você a dar o enfoque que mencionei em algumas estratégias de leitura e você pode ver mais detalhes ao clicar na imagem abaixo.

Tenho também um material que trabalha com ALGUMAS estratégias dentro já de interpretação de textos, com atividades prontas para o aluno utilizar. Para ver mais detalhes, clique na imagem a seguir.

Espero que tenha gostado do assunto do POST de hoje e até a próxima!

 

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