Ideias para o livro AZUR e ASMAR

“Eis a história de Azur, menino loiro de olhos azuis, e de Asmar, menino moreno de olhos negros. Eles cresceram juntos, criados e amados pela mãe do moreno Asmar, que é também a babá do loiro Azur…a babá vem de um país do outro lado do mar, onde se fala árabe.

Ela ensina a seus dois meninos as duas línguas que conhece.”

Assim começa uma das histórias que mais me surpreendeu em toda a minha carreira no magistério. A primeira vez que tive contato com a história de Azur e Asmar foi quando minha escola do município foi a uma sessão de cinema cultural e esse era o filme: “Azur e Asmar”. Confesso que não conhecia e não estava muito animada no dia. Sabemos o quanto é trabalhoso dia de passeio. Eu, pelo menos, fico preocupada demais, com toda a responsabilidade que representa a saída da escola com os alunos. Na época eu estava com um segundo ano.

Como estamos no ABRIL VERMELHO, dos VALORES HUMANOS, achei que este livro seria perfeito para indicar. Você já deve ter reparado que não curto livros que todo mundo curte! Claro que leio clássicos também para os alunos, e até a última postagem de livro foi sobre Felpo Filva, que considero um clássico infantil já. Fato é que gosto do diferente. Azur e Asmar consegue trabalhar VALORES HUMANOS de uma forma diferente, é um livro pouco conhecido e traz a inserção, compreensão e respeito por outras culturas, ou seja, perfeito!

Os dois personagens principais, Azur e Asmar, são criados juntos, até que o pai de Azur os separa para que seu filho aprenda dança, esgrima, equitação. Asmar observa e aprende também, embora não tenha o direito de estar nas aulas. Um começa a sentir inveja do outro. Azur quer apenas ficar com o amigo, Asmar quer participar das aulas e aprender, até que o pai de Azur o envia para longe e manda embora a babá e seu filho, Asmar… e este é só o comecinho da história!

Os meninos são separados, o tempo passa e Azur retorna de seus estudos. Seu objetivo então é ir até o outro lado do mar. Quando pequeno, ouvia as histórias da babá sobre uma Fada especial, a Fada dos Djinns, típica da cultura oriental.

Esta é uma parte que me agrada muito, pois costumamos ter muito contato com histórias de contos clássicos europeus, mas além de Sherazade e os contos das mil e uma noites, não temos muitos livros que nos contam sobre elementos típicos do oriente. Os Djinns são muito comuns nas terras “além mar”, como são chamadas na história. São, na verdade, gênios, como o de Aladdin, mas se pesquisarmos, veremos o quanto há de magia e encantamento na literatura sobre o assunto. Fiquei fascinada com o tema ao assistir o desenho e a história melhora ainda mais.

Você deve ter reparado que mencionei ter visto o desenho, mas ainda não falei do livro. Fato é que gostei tanto do filme, que quando dava aulas de Língua Portuguesa e Literatura para quartos e quintos anos em uma escola particular, adotei como livro paradidático. O livro foi ainda melhor que o filme!

Escrito por Michel Ocelot, em forma de roteiro, o que é surpreendente também, porque Azur e Asmar teve caminho contrário( !) foi escrito para ser um longa metragem e virou um filme, logo se tornou uma história de grande sucesso na Europa. Ocelot é muito conhecido por lá. Para quem não ouviu falar, talvez não se lembre dele, na verdade, por não ser exatamente escritor e sim animador. Sim! Ele trabalha sempre com animações e vive ganhando prêmios e participando de festivais como o famosíssimo Anima Mundi. Michel Ocelot também fez Kiriku e a Feiticeira, que ficou mais famoso aqui pela nossa terra. No Brasil, o livro Azur e Asmar é das Edições SM.

Ele viveu em muitos países e as entrevistas com ele são bárbaras! Super simpático, conhece como poucas pessoas universos mágicos de diversas culturas.

Algo muito interessante que acontece durante a história é o exato momento em que Azur chega nas terras de sua babá e descobre que o povo dali o vê como algo do mal, por seus olhos serem azuis. Uma lenda local conta que um ser do mal, com olhos azuis, trará desgraça para a terra em que vivem. Assim, imagine o que Azur terá que passar para pode andar pelo lugar! Após muito sofrer ele acaba descobrindo uma forma diferente de lidar com a situação, algo extremo, que o auxilia com a “maldição” de seus olhos serem azuis. Quer saber qual foi? Só lendo o livro…rsrsrs… se eu contar tudo perde a graça!

Fato é que traz o momento ideal para trabalhar preconceito e temas ligados a ele, como bullying, por exemplo, trazendo mais para a realidade dos alunos. A diferença de culturas é algo complexo de entender, mas no livro traz de uma forma muito básica e explícita. Ocelot ganha vários pontinhos bônus com a forma como conduziu esta parte da história!

Em sua jornada, Azur conhece Crapoux, que foi às terras além do mar para libertar a Fada dos Djinns, assim como ele. O novo amigo o ajuda em sua jornada até uma grande cidade, onde Azur reencontra a babá, que agora é uma influente viúva do local, muito rica e poderosa. Descobre então que seu amigo Asmar está para partir em uma expedição, para libertar a Fada dos Djinns.

Interessantíssimo e que vai além da história nesta parte é a forma como ele percebe a cidade, descrevendo com detalhes incríveis os lugares por onde passa.

Azur é ajudado pela sua antiga babá, que resolve financiar sua jornada com seu filho, Asmar. Antes de partirem, recebem instruções de um sábio.

A história é cheia de elementos mágicos que aparecem durante a jornada, mas não vou contar todos, ok? Quando encontram, por exemplo, com uma princesa, recebem itens que irão ajudar no caminho, como o frasco de Névoa de Invisibilidade.

São tantos itens a serem explorados na história, é tão rica sua narrativa, que precisaria montar um livro inteiro para explicar tudo o que encontrei ali. Claro que em um trabalho com o livro, com os alunos, não há como trabalhar tudo, é preciso priorizar e cada série, cada turma tem uma necessidade diferente. Muito curioso é que geralmente muitas de nossas turmas precisam muito de um trabalho mais evidente no que diz respeito aos VALORES HUMANOS e além de toda a magia e encantamento da história, trazendo o choque de duas culturas completamente diferentes, consegue ensinar muito bem sobre as diferenças entre as pessoas, sobre o respeito, sobre a injustiça presente no preconceito, sobre a amizade, sobre a perseverança e a determinação. São tantos os valores, que você poderá até escolher!

Espero que tenha gostado da dica de livro paradidático de hoje! Minha intenção com as postagens de livro é que os professores comecem a trabalhar com os livros não como se fosse uma obrigação, porque a escola “obriga” a ter uma prova com livro paradidático, mas de modo que o aluno aproveite a leitura, que seja realmente trabalhado em aula. Há tantos horizontes muito maiores que os paradidáticos nos dão, além do livro didático. Por que não aproveitar e explorar os temas, que são tão enriquecedores para nossa aula? Vale a pena a reflexão!

 

 

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