Livro didático? Ainda?

LIVRO DIDATICO.fwLivro didático, cartilha, seja qual for o nome que se dá àquele tipo de livro que algumas escolas ainda usam em sala de aula, posso garantir que não vai de encontro às necessidades dos alunos que temos. Esperar que um único material seja usado ao mesmo tempo para todos é dizer que a educação deve ser dada em massa, como na época da Revolução Industrial, e negar que nossos alunos precisam é de algo customizado.

Cada pessoa aprende de forma diferente e nossos alunos vivem em um mundo nativo no qual aprendem a customizar desde as fraldas, praticamente. Tudo é muito personalizado e o uso de algo tão coletivo quanto um livro didático certamente é algo de outro mundo.

Já lecionei com livros didáticos também. Afinal, principalmente em escolas particulares, ele é um entrave. Os pais, quando visitam a escola, geralmente têm contato com aquele material lindo, todo colorido, que tem tudo a ver com a infância escolar deles, mas não imaginam que o material tão “vitrinesco” de seu desejo não irá de encontro ao que seus filhos precisam. Para a escola particular é um pouco mais difícil a substituição, pois há esta questão do mostrar aos pais. Não seria mais fácil mostrar aos pais que o filho será tratado como uma pessoa individual, com necessidades individuais e um material personalizado do que mostrar um livro ou sistema de ensino apostilado que não trará resultados a todos? É claro que a estratégia do professor para melhorar a situação conta, mas mesmo assim ainda serão conteúdos e temas engessados.

Na escola pública, a questão é o programa nacional do livro didático. A cada par de anos a escola recebe livros didáticos do governo, que os professores são obrigados a escolher. Digo obrigados, pois também lecionei em escola pública e escolhi várias vezes, embora tenha usado apenas no primeiro dos quinze anos em que permaneci no público.

Alguns professores não ligam de usar esse tipo de livro engessado, mas eu, particularmente, sempre preferi resultados, em lugar de facilidade. O livro é sim uma facilidade, porém ilusória. Se meus alunos aprendem autonomia, raciocínio e criticidade com outras formas de ensino, o livro se torna desnecessário e a aula flui praticamente sozinha. Para mim, na realidade, o livro didático ainda permanece por ser também uma necessidade financeira.

Ao contar sobre autonomia para uma professora na escola particular em que lecionei, disse o quanto os alunos eram dependentes ali. Contei como fazê-los ficarem autônomos e estudarem sozinhos. A triste resposta que recebi era que se fizéssemos um trabalho assim por ali, os pais iriam reclamar na coordenação que não estávamos trabalhando. Ela comentou firmemente que deveríamos orientar cada resposta dos alunos. Fiquei pensando seriamente se tinha mesmo ouvido aquilo. Então… eles queriam babás ou professores? Porque estavam em escola particular não podiam aprender a pensar sozinhos?

É difícil tentar mostrar algo aqui em nosso país, ainda mais com o pouco estímulo que temos na educação. Se você pensar, porém, que educar é um ato político, cabe a nós deixarmos de lado o que os outros acham que a educação deve ser nas escolas e fazermos nosso papel. Afinal de contas, somos nós que estudamos para estar ali com os alunos e nós é quem devemos optar pela melhor forma de ensinar. Não é um programa de livro didático, pais que precisam de babás ou pessoas que perguntam o que mais fazemos além de lecionar, pois pensam que lecionar e fazer nada é a mesma coisa.

O mais grave das três situações é a do livro didático, pois não acho que interesse a muitas pessoas que a educação torne os alunos críticos, com raciocínio e autônomos, pois isso seria péssimo para alguns setores. Os pais babás, acho ainda que vai mais da política da escola. Não é porque o pai paga que não quer que o filho aprenda a aprender. Essa é uma mudança que deve começar de dentro, com formações dos professores e instrução com os pais. Quanto aos que acham-nos ociosos… crianças críticas sabem o quanto seus professores fizeram por elas. Sabem discernir a importância da educação para a formação de um país. Por fim, saberão, no futuro, dar maior crédito à nossa profissão.

Desde 2007 trabalho com a Educação Customizada e Elástica, um tipo de metodologia criado por mim para atender às necessidades dos alunos. Infelizmente, sem os incentivos do Brasil, estou ainda na surdina, praticamente, pois é muito difícil conseguir alguém que realmente queira ajudar.

Há contudo professores que começam a seguir minha tendência e os resultados são para mim um orgulho, embora muitos estejam longe de mim. Estamos ligados apenas pelo poder da internet.

De 2007 até 2011 desenvolvi a estrutura de trabalho da educação customizada e elástica, embora ainda não soubesse na época como fazer germinar em outras salas. Meu município, infelizmente, não teria ouvidos para mim. Aí foi onde a internet entrou.

Em 2012, na escola particular, trabalhei parcialmente em apenas uma das quatro turmas que tive. Os resultados foram surpreendentes, pois pude notar a diferença gritante entre as turmas no final do ano. Queria muito trabalhar em todas, mas o sistema apostilado não permitia…

Hoje fala-se ainda do Ensino Híbrido, quando na verdade essa mescla de tecnologia com o material tradicional das escolas também não é novo para mim. O “elástico” da Educação Customizada e Elástica se refere também ao ensino híbrido. O que ainda não descobriram, afinal de contas, já trabalho desde 2007 com o conceito, muito antes de ele aparecer em outros locais, é que apenas a ferramenta de mescla é tradicional, mas não o método ou sistema.

Para que seja funcional plenamente, o ensino híbrido precisa que o analógico, que seria o antigo livro didático, seja elaborado de modo elástico, com uma forma de pensamento diferente da usada nos livros didáticos. Toda a tendência do tecnológico deve fazer parte do papel.

Quem compra meu material nota as diferenças. Algumas turmas apresentam vantagens de até trinta por cento em relação a turmas que não usam. Não sabem exatamente dizer por qual motivo, mas na verdade o segredo é a elaboração do exercício, a forma como é apresentada ao aluno. É o híbrido funcionando também no papel.

Bem, termino aqui mais uma postagem com o intuito de mostrar o quanto podemos avançar na educação, com pessoas que realmente se interessam, como você, que seguiu a leitura até aqui. Posso não contar com grandes empresas ou escolas para me auxiliar, mas fico contente que ainda haja pessoas como você, que também lutam POR UMA EDUCAÇÃO MELHOR!

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