O FOLCLORE na LINGUAGEM! E sem MIMIMI!

O Folclore, na verdade, se refere à cultura de um povo. Folclore costuma nos lembrar de lendas, mesmo porque elas são realmente uma herança cultural popular que temos e cada país tem o seu repertório próprio de lendas, mas o FOLCLORE vai muito além das lendas.

Manifestações de linguagem, em geral, também fazem parte de nosso folclore e é vasto seu repertório: lendas, quadrinhas, parlendas, cantigas, piadas… Como estas manifestações são passadas de geração para geração e passam a integrar o que chamamos de popular, para poder usar e continuar passando para a próxima geração é preciso que nos “limpemos” da criticidade extrema que temos vivido. É preciso estar despido de preconceitos sobre tudo, pois muitas delas podem ser consideradas racistas, feministas e até xenófobas, se analisarmos do ponto de vista contemporâneo, mas não sejamos ignorantes a ponto de não entender que estas manifestações possuem uma história e carregam parte de uma cultura de uma determinada época.

Você pode ter achado um pouco “forte” meu parágrafo anterior, mas forte mesmo é impor uma visão de hoje a algo que foi criado no passado, com outra visão. Temos que saber discernir o que devemos e não devemos censurar e o mais importante: quando fazer isso.

Quando eu era pequena, ouvia muito uma quadrinha que era assim:

SOU  PEQUENINHA

DA  PERNA  GROSSA

VESTIDO  CURTO

PAPAI  NÃO  GOSTA

Vou confessar que para mim é uma quadrinha extremamente normal, livre de preconceitos, porque para mim, quando pequena, em meu mundo e minha história e meu ano de nascimento, brincava-se muito com a questão do limite para o curto, pois vinha já da geração dos meus pais.

Não tinham preconceito algum em relação ao curto, mesmo porque em 1970 minha mãe se casou com um vestido tipo “minissaia”, o que era considerado um pouco escandaloso, e ela usa saias até hoje… não mini, claro, mas até um pouco mais curtas do que as senhoras da idade dela usam.

Para quem teve contato com a quadrinha, era engraçadinha, na verdade, chegava a fazer graça com vestidos curtos.

Tenho esta quadrinha em um dos meus materiais. Sendo de cunho folclórico, como expliquei, ela foge de qualquer preconceito que uma pessoa sensata deveria ter. Importante que ela seja, portanto, passada sem preconceito, às crianças ( claro que mais tarde, dependendo do curso do aluno, ele possa analisar de um ponto de vista mais crítico a quadrinha e até encontrar coisas ali que hoje não seriam permitidas ou pensadas, mas isso quando estiver maior, não na fase de aprendizagem cultural ).

Disse tudo isto, porque por ser uma postagem sobre o FOLCLORE e sobre LINGUAGEM, posso garantir que muito o que temos terá este tipo de criticidade. Mesmo as lendas possuem elementos que os mais críticos condenam, por isso achei importantíssimo explicar que é questão “tempo-espaço”. Naquele tempo e naquela sociedade, era natural. Deve ser passado primeiro assim, para depois colocar a lente atual.

Citei a quadrinha do SOU PEQUENININHA, voltando à ela, porque recebemos aqui no atendimento um caso com ela. Alguém mostrou a uma amiga e a amiga achou “MACHISMO”. A pessoa não tinha percebido, embora não conhecesse a quadrinha antes de ver no material. Note que esta pessoa, que mostrou a quadrinha, não tinha um PRÉ-conceito sobre a quadrinha, o que está certíssimo. Mesmo que tivesse, importante entender que deve deixar de lado no momento de ensinar. Mais à frente, quando maior, a criança irá poder analisar do seu próprio ponto de vista. Educar é um ato político, como dizia Paulo Freire, portanto como somos professores conscientes, devemos procurar nos abster da opinião e apresentar às crianças os fatos. Só entramos com opiniões em momentos destinados a ela (opiniões dos alunos, intermediadas sem tomar partido).

Espero que eu tenha conseguido, até aqui, colocar um pouco de SENSO em relação à questão de não ter MIMIMIS para ensinar folclore – e se algum pai reclamar, basta explicar tudo isso que expliquei sobre a necessidade de sermos neutros no ensino de folclore. O que não podemos é perder o RIQUÍSSIMO REPERTÓRIO que temos no que diz respeito à linguagem por causa dos MIMIMIS. E também conhecer melhor, para não falar bobagem, naturalmente…

Vamos a algumas manifestações que temos!

QUADRINHA: são quatro versinhos em uma estrofe que pode ou não ter rimas ( que são ou não regulares ). São feitas para expressar a CULTURA da época em que foram criadas.

CANTIGAS: são canções populares, geralmente infantis, que foram usadas em brincadeiras de roda.

De cantigas, tenho um material no site da loja. Se achar bacana e estiver precisando, pode clicar no link para ver mais detalhes.

PARLENDAS: são também tipos de versos, com ou sem rimas, que em grande parte foram criados para fazer parte de brincadeiras. Há parlendas, por exemplo, que foram criadas para escolher um jogador ( exemplo – minha mãe mandou… )

No site da loja, TRÊS MATERIAIS COM PARLENDAS VARIADAS, além dos materiais específicos de uma única parlenda, como SUCO GELADO e CADÊ O TOUCINHO. Clique na imagem a seguir para ver detalhes dos materiais.

PROVÉRBIOS: este é mais para os “maiorzinhos”. Os provérbios são ditos populares que ilustram uma situação… mais ou menos… são frases que trazem uma grande carga de significado. Exemplos: “Deus ajuda quem cedo madruga”, “Depois da tempestade vem a bonança”, “Melhor um pássaro na mão do que dois voando”.

Para ver a opção do site da loja sobre PROVÉRBIOS, clique na imagem a seguir.

TRAVA-LÍNGUAS: nada mais enraizado na língua do que um trava-língua! Ele carrega as dificuldades do idioma e são criados a partir de elementos locais.  São divertidos e ajudam muito a parte de fono, o desenrolar da língua, digamos assim…

Na loja, algumas opções! Clique na imagem para ver detalhes.

PIADAS  E  CHARADAS: algumas são até internacionais, mas a maioria é popular do Brasil mesmo. Para que a piada tenha graça, é preciso que tenha elementos locais, seja entendida. Muitas pessoas falam que não entendem as piadas estrangeiras, mas não é para menos! Sem conhecer a cultura local fica difícil, por isso acrescentei como CULTURA POPULAR. As charadas então, além de divertidas ainda algumas delas são bem instigantes e inteligentes. Vale a pena investir nesta manifestação folclórica de vez em quando também. Que tal um festival de charadas e piadas?

No site da loja tenho um especial de CHARADAS E PIADAS!

 

Hoje não vou falar das lendas, ok? A intenção era falar mais destas manifestações folclóricas que não são tão tradicionais ao nos lembrar do folclore, mas que existem e é importante que lembremos delas para preservar nossa RIQUEZA POPULAR.

Espero que tenha gostado da postagem de hoje! Até a próxima!

 

 

 

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